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Cenários da Sociedade Civil 2023

25 de Dezembro de 2014, 0:00 , por Mariel Zasso - | Ninguém está seguindo este artigo ainda.
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A sociedade civil organizada no Brasil vive um momento instigante, criativo, de muitas mudanças, perguntas e possibilidades. No segundo semestre de 2013, um grupo de diversos atores de todas as regiões do Brasil, que representam organizações da sociedade civil, movimentos sociais, governo, empresas, universidades, mídias e coletivos de jovens, se reuniram para pensar no futuro da sociedade civil organizada do Brasil.

O grupo expressou suas visões sobre o presente e o futuro por meio de entrevistas, oficinas presenciais e mensagens pela internet, e construíram assim um conjunto de quatro cenários sobre o futuro da sociedade civil organizada no Brasil. O grupo batizou seus cenários inspirado por brincadeiras infantis:  

"O Mestre Mandou”, em que todos seguem um guia;

“Amarelinha”, em que é preciso percorrer um caminho, se equilibrando para chegar ao céu;

“Passa Anel”, onde o negócio é dissimular para quem foi passada a joia;  

"Ciranda”, onde todos se dão as mãos para cantar e dançar juntos. 

 

O Mestre Mandou

Neste cenário, narrativa de direitos é subjugada pela lógica do mercado. Os direitos avançam quando podem ser assimilados pelo mercado e retrocedem quando afetam o desenvolvimento econômico.

As OSCs são prestadoras de serviços em geral. Estado contrata organizações para serviços pontuais. O controle burocrático excessivo faz com que muitas organizações da sociedade civil estejam com sua situação irregular junto ao governo, sofrendo com ações administrativas e judiciais. OSCs mais combativas se afastam dos governos para manter a sua autonomia.

Sociedade não confia nas OSCs, pois há frequentes denúncias de corrupção. O controle burocrático não consegue coibir os desvios.

 

Passa Anel

Neste cenário, o discurso politicamente correto em relação aos direitos é completamente incorporado. Avanços nos marcos legais não se refletem na prática. Há muitos desafios na implementação da legislação que garante os direitos. 

Na relação OSC-Estado, a ampliação dos espaços de diálogo e a participação não garantem sustentabilidade econômica por parte das OSCs. O estado finge interesse nas OSCs para manter suas próprias agendas. Predomina uma visão formalista sobre participação, com baixa efetividade, favorecendo relações clientelistas. Há acesso a recursos públicos, insuficientes para a demanda.

Na relação Estado-OSC, a população em geral obtém sua informação por meio das grandes empresas de comunicação e não apoia manifestações em defesa de direitos. Sociedade conectada em rede não se sente mais tão representada pelas OSCs, buscando mecanismos virtuais ou menos institucionalizados para se manifestar.

 

Amarelinha

Neste cenário, a sociedade brasileira dá uma guinada neoconservadora. Surgem governantes que, ao proteger valores da família e da propriedade, geram retrocessos na conquista de direitos. As organizações que defendem os direitos de minorias são crescentemente excluídas das parcerias com o Estado. Algumas sobrevivem com doações de fundos independentes, de indivíduos e empresários progressistas, além da cooperação internacional.

As grandes emissoras de rádio e televisão são dominadas por grupos religiosos e dependentes da propaganda governamental. A educação religiosa confessional é tida como prioritária nas escolas públicas. As organizações do campo de direitos criam estratégias de ação inovadoras, com base  em tecnologia da informação, organização em rede e tecnologias sociais. Isso revigora suas lutas. As organizações com estruturas administrativas mais complexas e que requerem financiamento mais contínuo encontram muita dificuldade para sobreviver.

 

Ciranda

As organizações da sociedade civil, as empresas, os governos e os cidadãos atuam em rede, em um relacionamento de conexão, interdependência e cooperação. A sociedade participa da definição, monitoramento e avaliação de políticas públicas e as OSCs investem muito para criar canais de comunicação efetivos e diretos com a população. A presença da nova geração possibilita uma sinergia interessante com membros da “velha-guarda”, unindo inovação e comunicação horizontal e instantânea ao embasamento histórico e posicionamento político. A sustentabilidade econômica das organizações está calcada em diversos tipos de financiamento, com forte contribuição de indivíduos. Apesar de a economia ainda ser amplamente baseada na exportação de commodities e no consumo de bens industrializados, o governo amplia os investimentos em novos formatos de empreendimentos solidários e criativos. A banda larga proporciona maior acesso à informação, o que gera um salto quantitativo e qualitativo na participação social da população nos rumos da política do país.

Confira abaixo o Relatório Cenários da Sociedade Civil 2023. 

Para saber mais, visite a página do projeto: Sociedade Civil 2023.